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Raid do Inferno - Um breve histórico

Conheci a famosa Estrada do Inferno em novembro de 1982. Sábado cinzento, éramos 18 a largar de moto numa expedição que partia de São José do Norte às 7h00 da matina.
Às 4h00 da madrugada do dia seguinte conseguimos chegar em Porto Alegre, em apenas... duas motos. Foi a maior derrota que tive até hoje, entre todas as minhas aventuras. Pode colocar aí até minha vinda de moto de Los Angeles (USA) até Porto Alegre (BR).
Do que sobrou, além de uma grande lição de solidariedade e parceria, foi uma semente que em 86 originou o Raid do Inferno - A Maior Aventura do Sul na sua versão original, da Barra do Chuí, extremo sul de nosso País até nossa capital, Porto Alegre.
Mas nesta época os grandes patrocinadores só pensavam em futebol e assim não consegui as verbas necessárias para realizar um evento nos moldes do Paris-Dakar em uma região muito próxima as vastidões de areias dos desertos da África.
Mas como em todo bom aventureiro, a idéia de uma grande aventura nunca morre, realizei o primeiro Raid do Inferno em 1990. 
Éramos 100 carros, um verdadeiro recorde para a época, misturando Willys, Bajas e algumas Bandeirantes.
Na sua segunda edição, 1992, consegui dar uma incrementada no marketing, afinal trabalho com isto, o trajeto seria de Porto Alegre a Rio Grande e junto com os 130 inscritos veio junto uma equipe de jornalismo da Rede Globo.
Mas a Estrada do Inferno tem lá suas peculiaridades, quando chove transforma-se em poucas horas em um verdadeiro inferno, localizada entre o mar e a Lagoa dos Patos tem em seu terreno arenoso o maior desafio a homens e máquinas que se atrevam a desafia-la. O terreno fica extremamente pesado, consumindo a força dos motores, das embreagens e das transmissões e sua areia acaba com freios, rolamentos, a paciência e o saco dos pilotos e zequinhas.
Mas, quando não chove é um saco, pois é como se andássemos o tempo todo na beira da praia, nas areias, sem maiores dificuldades; e é claro foi o que encontramos nesta edição.
Em Mostardas em uma reunião de emergência com meus parceiros de organização, resolvi dar uma pitada de adrenalina no pessoal que me pedia barro, barro, barro.
Liderei o comboio em direção a Lagoa do Peixe e comecei a atravessá-la passando pelo rádio a determinação de que deveriam seguir exatamente o meu percurso, pois 5 metros para um lado ou outro cairiam dentro do canal com profundidade média de 3m.
O primeiro a atolar foi a Rural de um companheiro do Porto Alegre Jeep Clube que gentilmente carregava a equipe da Rede Globo, isto ás 14h00 da tarde; logo após cerca de 20 carros ficaram, muitos com água já nos painéis.
O último carro foi resgatado ás 21h00 da fria noite de agosto, sob aplausos e gritos dos demais participantes.
Além da cobertura dos jornais da capital, esta segunda edição foi matéria de 3 minutos do Fantástico daquele domingo. 
A estrada que deveria estar asfaltada já há anos, começou desde aí a realmente ter o tratamento devido pelas autoridades federais e estaduais, afinal como é possível que uma estrada responsável pelo escoamento da maior produção nacional de cebola pudesse servir de pista para aquele esporte maluco?
Em 94 realizei a terceira edição e inovamos. Afinal o asfalto já chegava até Mostardas e as máquinas já não eram as mesmas.
Nesta edição o Raid começava a tomar sua forma original, competição off-road. Ainda sem patrocínio realizamos uma prova de trechos de deslocamento e contra o relógio onde 30 equipes de 5 carros cada e mais 15 equipes de 2 motos percorreram e se divertiram durante os 200km do percurso.
Neste ano planejamos a realização da quarta edição deste evento para o mês de agosto. Ainda não será em seu percurso original, Chuí a Porto Alegre, pois ainda há muita dificuldade de se conseguir patrocínio para tanto.
O percurso esta sendo levantado entre Palmares e Mostardas, região plana de largo e vasto horizonte, belíssimos visuais, belas lagoas, plenamente deserta, onde trechos de greda preta pantanosa e vastos areais, além de imensas dunas e bolo-fofo prometem desafios e obstáculos para aqueles que se dizem grandes off-roaders.
Com certeza esta edição tem tudo para reafirmar o Raid do Inferno como Raid de maior dificuldade a ser enfrentado por homens e máquinas, Quem vier, verá.

Eduardo Badia

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