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Picadas de Animais Peçonhentos

Dr. Paulo Luiz Farber
http://sites.uol.com.br/pfarber/

Em atividades "off-road", um dos contratempos mais temidos é a picada de animais peçonhentos. Com raras exceções, nada que possa ser letal à vida do jipeiro, mas que merece cuidados especiais.

Dentre os animais peçonhentos, os acidentes mais comuns são com serpentes venenosas, aranhas e escorpiões. As estatísticas mostram cerca de 1500 a 2000 ocorrências mensais de picada de serpente venenosa, com mortalidade inferior a 1%, e 500 acidentes mensais com aranhas e escorpiões, com 3 a 4 mortes mensais exclusivamente com escorpiões.

Serpentes venenosas

Embora a presença de serpentes venenosas seja comum em todo o território nacional, os acidentes são relativamente infrequentes. Isso se deve ao fato de que os seres humanos não estão entre os alimentos preferidos desses animais e os acidentes devem-se ao fato do animal tentar defender-se.
Portanto, a primeira medida óbvia é não perturbá-lo. Normalmente ele se afasta ao perceber a presença humana.
Os acidentes mais comuns são quando pisamos inadvertidamente sobre eles; fato que botas que protejam o tornozelos atenuam bastante a chance de ocorrência de picadas.
Outro cuidado óbvio é olhar por onde pisa, mas no "off-road" às vezes temos que andar em terreno com mato alto e pantanoso, área com bastante probabilidade de encontrarmos serpentes venenosas.

Há duas famílias principais de serpentes venenosas no Brasil: Viperidae e Elapidae. A maioria das serpentes pertencem a família Viperidae e são agrupadas em 3 gêneros:

  1. Bothrops: Estão agrupados nesse gênero as seguintes cobras: jararaca, urutu e a cobra-papagaio.
  2. Lachesis: É o gênero da surucucu, mais comum no norte do Brasil, chega a medir 3 metros de comprimento.
  3. Crotalus: São as cascavéis.

Da família Elapidae, no Brasil temos a cobra coral, de fácil identificação e de veneno poderosíssimo, embora em pequena quantidade.

A ação dos venenos depende do tipo de serpente. As do gênero Bothrops são venenos que causam hemorragias e necrose local. A surucuru também mas é bem mais poderosa, podendo agir no sistema nervoso. O veneno da cascavel e da coral agem principalmente no sistema nervoso.

O importante é que geralmente dá tempo de remover o paciente para tratamento especializado. Se ocorrer o acidente, o melhor é:

  1. Não colocar torniquetes nem ficar cortando e tomando o sangue do local da picada.
  2. Não administrar soro antiofídico sem acompanhamento médico. É muito comum reações alérgicas ao soro, piores até que a picada da cobra, que necessitam de medicação urgente.
  3. Lavar o local da picada com água e sabão. Se tiver dois furinhos é certeza que se trate de serpente venenosa.
  4. Procure identificar a serpente (se possível matar e levar com o paciente). Se não for possível verificar se tem chocalho no final do rabo (cascavel) ou se é colorida em preto, vermelho, branco e preto (coral).
  5. Se houver dor, ministrar um analgésico.
  6. Manter o membro picado em posição elevada.

O resto será feito pelo médico.

Aranhas venenosas

Em geral os sintomas provocados por picada de aranha em adulto restringem-se à dor local, podendo ser combatido com analgésicos ou anestesia local. A aranha mais venenosa é a armadeira, reconhecida pela posição como em "pé" sobre as patas de trás. No caso de picada em criança vale a pena levar a um hospital, pois o veneno pode agir no sistema nervoso, causando dificuldade respiratória e tremores musculares.

Escorpiões

Ao exemplo das aranhas, os escorpiões causam mais formigamento e dor local do que sintomas gerais. Principalmente em crianças pequenas e idosos o veneno pode ser letal. Se o paciente apresentar náuseas ou vômitos, sudorese intensa, salivação, tremores e aumento da pressão arterial, deve ser levado rapidamente a um hospital onde vai ser submetido a soro anti-escorpiônico.

Resumindo, picadas de aranhas e escorpiões dificilmente levam a maiores conseqüências. Nas picadas de cobras, a maioria são do gênero da jararaca, sem maiores conseqüências, com os sintomas gerais só aparecendo após cerca de 6 a 12 horas. As picadas de cascavéis e corais são mais problemáticas, mas também mais raras

Mas o melhor mesmo é ficar ligado e não ser picado. 
Use sempre botas e olhe por onde pisa.

E boas trilhas.

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