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Minha primeira vez

Grace Suzuki

Compramos nosso primeiro jipe. Paixão à primeira vista, verde-militar, de expressão marota, quase autoritária. "Meu Deus, isso tem quase cinquenta anos!"- pensava, enquanto meu marido examinava cada parte do que seria brevemente o próximo membro da família. O 4X4 já fazia parte da vida dele há tempos (os pais dele já pilotavam um desses) e ele mesmo já tivera um, anos atrás.

Primeira trilha, enfim.

O dia estava meio fechado, com cara de chuvoso e fazia um frio de bater os dentes (aliás, eu não sabia se isso acontecia comigo por causa do frio ou do nervosismo mesmo). Não tinha conseguido dormir direito na noite anterior tamanha curiosidade de ver o bicho em ação. Já havia visto fotos, escutado inúmeros relatos de gente que se sentia feliz só em poder chafurdar na lama. Esquisito... mas era pagar para ver. Nasci assim, xereta de carteirinha.

Oito da manhã de sábado, encontro marcado num posto perto de Alphaville. Máquina fotográfica na mão (meu pai já pilotava uma dessas), começo a registrar outros jipes chegando. Observando suas conversas, a animação corria solta. Trilha curta, mesmo assim compramos água e biscoitos (tem que cuidar do 4X4, mas não se pode esquecer dos 2X2).

Partimos. A ansiedade era tanta que eu tinha a impressão que ia explodir. Não havia com o que se preocupar. Tudo estava devidamente checado. No fundo, mas bem lá no fundo mesmo, eu estava tranqüila: não estávamos sozinhos e a turma de jipeiros transmitia segurança, tamanha a união.

Ligada a tração nas rodas, seguimos enfrentando os chamados "facões". O jipe se contorceu, e, como que desafiando algumas leis da física, passou incólume, orgulhoso.
Mais adiante, paramos sob o sopé de uma montanha coberta de erosão. Meu estômago parou junto com o coração. Para mim, pseudo-navegadora-que-virou-fotógrafa de primeira trilha, aquilo mais se parecia com uma enorme parede rachada. "Nós vamos subir isso aí... de carro?"- argumentei, incrédula.
E subimos. Só que, perto do topo, o cardan traseiro resolve dar adeus.
Bem, no resto da trilha o nosso valente 4x4 foi de guincho (ou melhor, na cinta), prometendo revanche.
E, para brindar meu "batismo off-road", o jipe em que estava de carona virou - jamais esquecerei a cara do pessoal gritando na janela para eu ter calma - e eu lá, quietinha, pendurada de lado, achando graça de tudo...

Hoje, três anos depois, várias trilhas percorridas (além de inúmeras indas e vindas à oficina), agradeço a alguém lá em cima pela hora em que fui apresentada a esses incríveis jipeiros e suas máquinas fantásticas. Nada substitui o cheiro do barro queimado no escapamento e a vontade de vencer um "bosteiro". Tudo devidamente registrado e fotografado. Só para lembrar.

Como já vi estampado em um adesivo: "mais vale um dia ruim de jeep do que um ótimo dia no escritório"...

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